Nº 30 nov/dez 2014

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ANJO MAU

Cheio de talentos, o ator canta e compõe. Precisa de mais? Sim, ele quer mais, muito mais. Mesmo se preparando para encarar novo trabalho na televisão, Thiago não deixa de planejar atuações no teatro e no cinema.

Que sabemos sobre os atores? São bonitos, ricos, famosos, talentosos, namoram muito, atraem mil flashes e vivem como querem, certo? Não para Thiago Fragoso. Ok, ele é bonito, famoso e multitalentoso. Mas também tem características que o afastam do estereótipo da profissão:  é casado, discreto, não está acostumado aos paparazzi, é perfeccionista e uma simpatia! Além de ator, Thiago canta e compõe. Em setembro, estará na próxima trama das 18h da Rede Globo, Araguaia, fazendo o papel de Vítor, um vilão  que se regenera.

Aos 28 anos, interpretar um vilão é o que faltava no currículo de Thiago. Mas ele faz muitos planos para a carreira. No teatro, por exemplo, quer ser o astrônomo Kepler: “Ele teve uma vida muito maluca, dizem que nunca tomou um banho, era fervorosamente religioso e todas as suas descobertas científicas  foram contrárias ao que acreditava na religião. ele tinha a minha idade quando provou que a Terra não era o centro do universo”. Alguém duvida de que Thiago dará conta do recado?

Isabella Espínola: Sua primeira peça, aos 11 anos, foi o musical Os Sinos da Candelária (1991). Você faz trabalhos importantes na tevê mas nunca abandonou o teatro. O que destacaria na sua trajetória de ator?

Thiago Fragoso: É um misto de perseverança com transformação. Eu nunca deixei de fazer as coisas que acredito, de que gosto, e teatro está dentro disso. Sempre batalhei pra tentar ser o melhor ator que eu pudesse ser.

Trabalhando em musicais, você consegue usar dois talentos que te acompanham – a música e a atuação.
Pois é... Mas sabe que eu só fiz esse? A música também me dá um prazer muito grande. Estou doido pra juntar tudo em um musical (risos).

No Brasil, estão sendo montadas muitas peças da Broadway. Já  é possível perceber essas montagens como uma tendência do mercado cultural ou o movimento ainda é muito restrito?

Dá pra falar em tendência, sim. Os norte-americanos têm um mercado de arte, de teatro, muito bem estruturado e, quando essa experiência é trazida para cá, estamos nos espelhando numa coisa que é boa.

Por ser  um rosto conhecido do grande público, em função dos trabalhos na TV e no cinema, você consegue atrair mais espectadores para o teatro?

Sim. Mas teatro tem uma coisa que é completamente misteriosa: o fenômeno teatral. Quando a peça é um fenômeno, é um fenômeno. E aí não depende se o ator está fazendo ou não televisão, se é uma peça da Broadway ou do “Zé das Couves”, não tem uma fórmula.

Quais são as diferenças de atuar na TV, no teatro e no cinema?

A televisão tem aquela excitação da velocidade. Quando eu fiz O Profeta (TV Globo, 2006), gravei duas mil cenas; em nenhum outro lugar você faz duas mil cenas. O teatro é o veículo do ator, teatro é o que aparece, é o organismo vivo, é apaixonante, talvez seja o que eu mais goste de fazer. O cinema é tudo truque, você faz muita mentira para construir uma verdade.

Você será o Vítor na próxima novela das 18h da Globo, Araguaia. Como será este personagem?

Ele é um cara muito objetivo, dono de um frigorífico, onde se mata  bois todo dia. Para ele, isso não é um problema, porque acha que boi nasceu para ser morto. Ou seja, é um cara que não se envolve emocionalmente com as coisas. Vítor vai se casar com Manuela (Milena Toscano), com quem tem uma relação muito bonita. Como não tem família, espelha-se na família dela. Então, aparece o Solano, personagem de  Murilo Rosa e tudo vai se complicar. É quando ele se torna um vilão. Mas ele vai sofrer uma grande transformação irá se redimir.

Você já fez ou fará alguma mudança em função desse novo personagem?

Ainda não fiz, mas vou fazer. Vou mudar tudo! O cabelo vai ficar liso, vou usar megahair (risos).

Como você administra a super-exposição causada pela presença em novelas?

A gente sofre, porque a indústria da fofoca, da celebridade, está crescendo muito no Brasil e, antes, não era assim. Outro dia, fui à academia na Gávea e nunca havia paparazzi na Gávea. Mas quando entrei no shopping, o paparazzi começou a tirar fotos na minha cara. Não entendi nada! Foi a primeira vez que realmente fiquei surpreso, quase falei pra ele: “Amigão, vai pro Leblon, você está no lugar errado” (risos).

Qual a melhor parte do trabalho de ator?

É a pergunta mais difícil que já me fizeram na vida! Tem vários momentos. Quando você acerta uma piada no teatro, é incrível, principalmente quando no trecho não estava previsto uma piada. Quando você consegue criar intimidade com uma pessoa que nunca viu na vida, é o momento mais feliz, e não  necessariamente é o momento do aplauso.

Alguns artistas conciliam duas profissões, como a de músico e de ator. Existe essa possibilidade para você?

Acho que dá pra conciliar. O ator que faz musical, por exemplo, consegue. Mas ter um trabalho autoral e solo como músico é mais complicado. É preciso ter uma certa organização que minha vida ainda não suporta.

Você já foi um dependente químico em O Clone (TV Globo, 2001), o porco Rabicó no Sítio do Pica Pau Amarelo (TV Globo, 2005) e até mulher, no seriado Sexo Frágil (TV Globo, 2003). Em que essa diversidade de papéis te ajuda? Dá para encarar drama e comédia na mesma medida? 

Me ajuda a fazer coisas diferentes. Digamos  que eu não me viciei num tipo específico, isso é legal porque te possibilita transitar. Eu não sou um ator cômico, mas aprendi tecnicamente tempo de piada, riso da plateia, como fortalecer a piada do outro. Faço comédia porque batalhei por isso, é a história da versatilidade.

O ator tem a responsabilidade de passar uma “imagem positiva” para o público? Isso interfere muito na sua vida pessoal?

Não, porque não preciso fazer esforço pra ser quem sou (risos). Mas  acho que, hoje em dia, é o contrário: você faz muito mais esforço pra fingir que é babaca, que é bad boy. Acho que o mundo está muito ao contrário.

O que você acha das leis de Incentivo à Cultura? São válidas? Estão cumprindo o propósito?

Muita gente usou lei de incentivo cultural pra se promover como político e ferrou com a classe artística. Meia entrada só deixou o ingresso mais caro, 70% das carteirinhas são falsas; então, se 70% das pessoas pagam meia entrada, como você vai pagar o teatro? Aumentando o preço do ingresso. Você pune o cara que paga inteira e obriga o que não tem dinheiro a falsificar a carteirinha e ninguém discute isso.

O que falta para você se sentir realizado profissionalmente?

Falta muita coisa... Tenho só 28 anos, falta muita coisa para eu construir, realizar.  Cinema, principalmente, é o que eu mais tenho vontade de fazer. 
 

Thiago Fragoso

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