Nº 30 nov/dez 2014

Aconchego

Passado Presente

Ela pode estar no entulho do lote vago, dentro de uma caçamba, em um canto qualquer do quintal e, como sinal dos tempos, em marcenarias, simples ou sofisticadas, que recebem de diferentes lugares do país restos de antigas casas. Durável, original e com múltiplas possibilidades de uso, a madeira de demolição é capaz de transformar o velho em novos detalhes sensacionais em salas de estar, quartos, cozinhas, varandas e onde mais a criatividade permitir.

A decoração com madeira de demolição ainda é considerada por muitos um artigo de luxo. Isso porque lojas e marcenarias especializadas chegam a cobrar até o dobro do valor de um móvel convencional. No entanto, a engenheira civil e designer de interiores Regiane Ivanski defende que o material é democrático e atende a todos os gostos e classes sociais. “As possibilidades de criação com madeira de demolição são infinitas. Você pode optar por decorações com investimento mais alto, como é o caso de pisos e paredes. Mas pode, simplesmente, dar um toque transformando portas velhas de madeira em cabeceiras”, recomenda.

Não há regras para aproveitar a madeira de demolição. Ao reformar sua própria casa ou apartamento, o material pode estar à disposição. “Nesses casos, o investimento será apenas na reciclagem, que pode envolver uma simples limpeza com lixa e pintura”, aponta Regiane, lembrando que a ambientação das peças depende do gosto de cada um. Mas uma coisa é certa: “A madeira permite uma sensação de calor humano. As pessoas querem possibilidades agradáveis, que agucem os sentidos e contem histórias”. 

A psicóloga e psicanalista Jacirema Ferreira segue a cartilha de Regiane e é com criatividade que aproveita para dar vazão à sua “mania” de restauração, adquirida há 20 anos. Ela transformou a chácara que comprou em Ibiúna – a 70 quilômetros da cidade de São Paulo – num mostruário de peças restauradas. “Não jogo nada fora. Todas as janelas da minha casa são de madeira de demolição, tenho também armários, portas, painéis, mesas e cadeiras, além de toras marcando os caminhos na grama,” enumera.

Escolha sustentável

Para a arquiteta paulista Vanessa Trad, o aumento no uso desta madeira na decoração acontece porque as pessoas estão mais atentas aos materiais sustentáveis. “A necessidade de ajudar na sobrevivência do planeta tem despertado o interesse por opções mais duradouras e menos nocivas à natureza”, enfatiza. Ela observa que é importante avaliar a qualidade da madeira na hora de comprá-la ou de encomendar um móvel personalizado.

“O ideal é conversar com um marceneiro de confiança, para que ele possa dar conselhos sobre o que fazer com cada tipo de madeira”, sugere, completando: “Quanto mais pesada, mais sólida é a madeira e menos problema ela pode causar. É importante, por exemplo, impermeabilizar o material evitando a penetração da água, caso ele vá ficar exposto. No caso dos móveis de interior, eles podem durar toda a vida”.

É o que garante o proprietário da loja Atempos Móveis e Adornos, o mineiro de Belo Horizonte Ronei Dias. “Apesar de o investimento ser um pouco maior, é um produto com uma enorme durabilidade”. A família dele trabalhava com móveis em MDF, com foco nos lojistas, mas desde que recebeu a primeira encomenda de peças com madeira de demolição, percebeu o enorme potencial de expandir o negócio. “Quem procura por móveis ou outros objetos em madeira de demolição expressa um desejo pelo diferente e por ambientes personalizados”, sentencia.

Limpos e bem conservados

Móveis e pisos feitos com madeira de demolição são fáceis de limpar, basta um pano seco. Porém, para melhor conservá-los, algumas dicas são importantes:

Móveis e peças expostas ao sol e à chuva: dê um acabamento com verniz marítimo, para facilitar a limpeza e para que não absorvam água

Móveis e peças de áreas úmidas:
passe cera incolor com silicone a cada 15 dias para dar um acabamento impermeabilizante, o que facilitará a limpeza e impedirá que os móveis absorvam água. Após um ano, faça-o somente quando achar necessário. A sugestão serve também para peças do banheiro e cozinha

Móveis e peças de ambientes internos:
vale a mesma dica da cera incolor pastosa, com silicone, mas a cada 30 dias. Depois de seis meses, uma vez por ano. Desde modo, a cera irá formar uma camada protetora. Depois, é só  lustrar

Móveis e peças com pintura em policromia:
basta tirar a poeira; mas não os deixe expostos ao sol e evite que sejam molhados

Mudança de lugar:
nunca arraste seu móvel, procure sempre carregá-lo para não comprometer sua estrutura. E, por último, mas não menos importante, se ele estragar ou se deteriorar, procure a orientação de um especialista e evite consertá-lo sozinho!

Foto: Victor Schwaner / Nitro.


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